Mt. 21.5  Dizei à filha de Sião: eis que o teu Rei aí te vem, manso e assentado sobre uma jumenta e sobre um jumentinho, filho de animal de carga.

Olhando analiticamente as ações, a forma e a metodologia empreendida pelo homem para alcançar suas metas e conquistas, e, comparando com o agir e o conquistar de Deus, há de se concluir que este sempre age na contramão da história. Parece que  ele tem prazer em pensar de forma diferente  do homem que criou. Enquanto os homens sempre empregam a força, a prepotência, a astúcia e o engano para suas realizações e dominação de seus semelhantes, Deus, contrariamente, despe-se  de toda força, aparato e grandeza.

 Na ótica de Moisés, ser o Futuro Faraó e rei do Egito, era ser rei do mundo, governador supremo e por eficácia de um edito real, daria a alforria aos escravos judeus. Um meio inteligente de fazer política para Deus. Parece-nos que o Deus daquele tempo não pensa como muitos deuses de hoje. Aquele não quis ajuda do palácio faraônico. Acredito que, se Deus tivesse encarregado qualquer um de nós para conquistar Jerusalém – Cidade do grande Rei – por certo apresentaríamos estratégias mais ou menos assim:

  1. Nascer numa família sacerdotal rica e abastada, para ter boa preparação intelectual e teológica; e, com certeza, seria o próximo Sumo Sacerdote.
  2. Preparar-se em uma escola de guerra e agrupar um exército que falasse a nossa língua.
  3. Acenar com a possibilidade de fazer acordos de interesses do reino, por meio do Senador José de Arimatéia ou de Manaém, criado com Herodes. Ambos preparados por deus para representar seu povo nos palácios governamentais e parlamentos.
  4. Estabelecer um ponto comum de negociações com a cúpula farisaica e sacerdotal; afinal todos buscariam a convergência espiritual da nação, pois eram descendentes de Abraão.
  5. Usar a mídia e a tecnologia disponível, em verdadeiro confronto com a aristocracia dominante, com fito a demonstrar que éramos os melhores, com idéias mais geniais.
  6. Criar um programa de atração do empresariado para obter sustentação financeira, inclusive, sugerindo um culto especial a eles em todas as sinagogas, de forma que não teriam a incômoda presença dos pobres.
  7. Ostentar, com toda pompa, vestimentas reais, sinete no dedo anular, marca da arrogância, despotismo, orgulho e grandeza, para impor respeito, montado em um exuberante e luxuoso corcel importado do Egito, seguido por um não menos jactancioso exército, cercaria e deporia as autoridades romanas que não se convertessem a Deus.

Contudo, Cristo seguiu linha divergente: nasceu pobre, quase favelado - do tipo que hoje nem seria visto - não freqüentou escola, nem foi iniciado por ascendentes sinedrianos. Seu exército não passava de 12 malucos que não se importavam com suas famílias, nem com bens materiais e nem com o próprio bem estar. Viviam 24 horas a serviço do rei, sem férias, sem folga, sem lazer; viviam em verdadeira rivalidade com a liderança porque falavam demais. Chegaram mesmo a desafiar o governador Herodes e o chamaram de raposa. Não permitiam que suas obras fossem divulgadas, detestavam os elogios e bajulações. Quando alguém ousou chamar Cristo de bom, de grande, este fê-lo entender que um só é Grande – Deus. Vivia sempre se esquivando das promoções, detestava os primeiros lugares. Jantou com miseráveis, contudo, se recusou ir à presença de governadores prestar-lhes homenagens. Eram do tipo que não aprendiam a falar nossa língua, só falavam a celestial e, finalmente, entram em Jerusalém, ousadamente, montados em um jumentinho, marca da nacionalidade, do serviço, da humildade.

Com tudo isto, não despertaram a fúria romana, pois não almejavam a conquista do império. Entretanto, de forma simples e humilde, sustentando a verdade, conquistaram o coração dos homens, tarefa que legou a nós, esperando que sigamos, com a mesma estratégia, para conquistar o mundo.

Conquistar Jerusalém: uma questão de estratégia ... e de opinião!